Eu me via ali cada vez mais distante. Distante de você, de amigos agora distantes e da minha família. Isso me doí, olhar-me e me ver cada vez mais distante do mundo em que eu idealizei pra mim, em que eu criei para viver no tal feliz pra sempre. Eu achei que poderia escrever tudo, escrever minha historia, escrever quem faria parte dela e quem a deixaria, e olhando pra mim hoje eu vejo que eu a apaguei capitulo por capitulo. Penso -e vejo- Oh Deus, quem eu me tornei, o que aconteceu com aquela que eu criei, aquela menina que eu tentava ver no espelho, a unica resposta que encontro pra isso é que aquela historia escrita, aquela menina idealizada, aquele destino falso todos eles cresceram. Infelizmente, eu tive a prova concreta de que crescer é ruim. De uma certa forma, crescer é péssimo… Perdemos o que achamos que nunca perderíamos, percebemos coisas que a gente achava que só acontecia com os outros. Mas eu não falo de crescer em tamanho, isso é muito fácil. Falo de crescer, ou do meu modo, ser obrigada. O meu “crescer” pode ter sido diferente, ele me fez parar de sonhar, idealizar, e querer voar. O meu crescer pode ter me tornado uma pessoa nem 0 nem 10. Uma pessoa trancada e vedada. Uma pessoa com uma desorganização de sentimentos imensa. Me tornou uma pessoa com medo de respirar, para que nada saia do seu exato lugar e desande. Uma menina com medo de novos sentimentos, mas querendo viver os antigos novamente. Uma menina com pavor a publico, que sempre corria antes que perguntassem: Você está se sentindo bem? ou Como esta a festa? Ou Cadê os namoradinhos? É, eu me tornei essa menina, que foge de situações que todo adolescente ou toda criatura viva já passou. Essa não foi a que eu idealizei, mas de tanto idealizar a guria que eu queria ser, me tornei essa. Porque? porque eu me prendia naquela minha imaginação de vida em frente ao espelho e esquecia dessa aqui, dessa de verdade, então eu dentro de mim era aquilo e fora era isso, essas palavras acima, secas, frias e calculistas. Eu poderia esquecer tudo que disse até agora e não admitir nada disso, mas tem hora que cansa e você tem que admitir não só para os outros, mas admitir pra você mesmo que a sua vida não é nada do que você imaginou. Nada de namorado perfeito, carinhoso e preocupado. Nada de família perfeita, linda e unida. Nada de amizades longas e sem falsidade. Eu imaginei 142934392048 lugares para fugir disso, imaginei fugir para a praia, mas lá os pássaros me fariam imaginar como é bom voar. Imaginei fugir para um park, mas lá eu imaginaria como é bom ser criança. Imaginei fugir para qualquer lugar mas todos eles me faziam desistir, então com tudo acabado, tudo apagado e nem um lugar pra ir, tornei-me preguiçosa, mal humorada… Aquela que achou um lugar pra fugir, e simplesmente se enrolou no edredom e dormiu, dormiu o máximo que pode.